segunda-feira, 14 de julho de 2008



Passava da uma da manhã na Calle Neptuno quando o Monte Cristo deu-me sua última baforada. Foi então, em meio a um silêncio profético, que Havana resolveu conversar.
Havana: Mas então, o que vieste fazer aqui?
Leo: Me encontrar-te é uma boa resposta?
Havana: Depende, muitos outros já vieram se descobrir em mim... mas tu ao menos se encontrou?
Leo: Não, mas isso era mesmo necessário?
Havana: Talvez não... mas o que encontrou em mim?
Leo: Horizontalidades, por certo.
Havana: E te enamorou delas?
Leo: “Por supuesto”... E há como não se enamorar de algo que se espalha assim, sem imposições piramidais?
Havanas: Falas de politica?
Leo: Não, aqui deixarei meus últimos ismos... a queda do meu muro de berlim.
Havana: Tenho cuidado com isso. Nessas ruas muitos sofreram quando o último se caiu.
Leo: E não pense que em minhas “calles” sejam menos os que sofrem agora com quase duas décadas de atraso.
Havana: Mas o que te dói?
Leo: Essa mente coração de sempre, que sangra e pensa; que pulsa e vibra; que bombeia e reticencia...
Havana: Mas então o que te enamoras daqui?
Leo: Ora, já disse, as horizontalidades!
Havana: E o que são elas pra ti, senão politica?
Leo: São o braço que se estende gasto, porém forte. Algo como teus prédios baixos, aqui de centro Habana... essa dicotomia de procurar a si mesmo em meio ao culto coletivo, a construção de pontes do saber entre o que sou eu e quem são os teus... E dar as mãos e rodar o mundo, girar a roda, “poner-me en movimiento”.
Havana: E de que movimento és?
Leo: Não sou de movimentos, estou em movimento!
Havana: E assim cais de novo em horizontes?
Leo: Por certo. Do horizonte tenho sabedorias e prazeres, desde a cama onde me porei agora fadigado, ao amanhã que, espero, aguarda-me em gozo. Nada me existe além do desejo de horizontalizar.

E despediu-se com a brisa leve do Malecón em um penúltimo gole de Havana Club.

3 comentários:

janaina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
janaina disse...

tu tem uma coisa de Manuel de Barros, né?! Adora "palavrear"... hehehe
O dom da "inventação de palavras".
Adoro isso
Acho que deve vir daquela tua eterna mania de pensar no porquê do nome das coisas... "Porque a gente fala SE QUEIXAR?" O que tem haver?Vem de onde, afinal de contas, essa palavra?!!!"
Pois então, tu vivia criando caso com as palavras, maninho... De tanto criar caso, começou a inventá-las! heheheh
E está cada vez melhor nisso!
Adoro
bj

Mariana Harder disse...

Não vou me orgulhar desse comentário depois de publicado, mas não me importo por enquanto. Sou sua fã! Depois da confissão, me apresento e te apresento os motivos para que eu me identificasse com seu blog.
Diferente, claro, mas como você, me escapam versos; estudo e me arrisco na fotografia porque gosto de me pensar como uma pessoa que faz o que gosta, mas ainda não encontrei o que gosto de fazer, realmente, com ela...
Te li e, encontrei possibilidades para o meu próprio fazer, foi legal.
Um abraço.