quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Na beira do estádio





























Há anos eu não ia a um estádio. Sair da redação no domingo dia 27/01, depois de ter fotografado o treino do São Paulo na manhã anterior, era como um passeio ao zoológico. Claro que não desmereço os entusiastas do esporte, mas a comparação com os parques onde se vê os animais me é lógica pelo fator exótico que a paisagem me tem.
A tarefa parecia simples, ficar do lado de fora do morumbi e fotografar as torcidas antes do jogo começar. Cheguei uma hora antes do apito incial, 15:00 hs. As ruas, embora cheias, ainda eram tranquilas. As torcidas havaim sido bem separadas pela PM e a rotatória, bem em frente ao estádio, servia como uma espécie de marco zero intransponível.
Quanto mais o relógio se aproximava das 16:00 hs, menos eu entendia. Sempre fui de chegar cedo a tudo, de entrevista de emprego a sessão de cinema, passando por shows e jantares, algo como 30 min de margem para qualquer eventualidade. Mas ali já estávemos em 15:55 e muita gente ainda estava do lado de fora. Resolvi perguntar

Leo: Capitão, esse pessoal todo não entra?
Capitão da PM: Não, não... nosso trabalho grosso mesmo começa junto com o dos jogadores. A maioria da torcida organizada fica do lado de fora, bebendo e esperando uma chance de brigar com a outra aqui fora, porque lá dentro tem grade separando...
Leo: Quer dizer então que treta mesmo só dá com bola rolando...
Capitão: Ou no intervalo, mas tudo aqui fora.... Ih caralho, começou!

Do nosso lado, quatro torcedores do São Paulo atiram pedras na torcida do Corinthians que resolve ir pra cima e atravessar o marco zero. Cavalos e motos da PM avançam e se posicionam entre as torcidas. Os poucos torcedores que atravessam essa linha são apanhados pelos cacetetes em punho e sem dó dos PMs que ficam a pé.

Capitão: E aí, deu foto boa?
Leo: Sei não, tudo muito rápido.
Capitão: É a gente tem que correr pra cima senão a molecada apavora mesmo. É sua primeira vez em estádio?
Leo: É sim capitão.
Capitão: Ficou impressionado com os cacetetes?
Leo: Porra, vocês batem sem dó né?
Capitão: Ah, mas tem que ser... Pensa comigo, se o cara vem aqui, num domingo, pra arranjar briga, o mínimo que a gente pode fazer por eles é bater forte... eles vem aqui pra apanhar.
Leo: É, não posso discordar que tu tem um ponto.
Capitão: Ainda mais porque, na boa, eu queria ver o jogo na tv, com meus filhos, tomando uma brhama... e não separando marmanjo como se fosse gado. Isso tá na cabeça de cada PM daqui. Então, se passou da linha, vai ser marcado!
Leo: Então corre lá que começou de novo!

3 comentários:

Lua disse...

Ah, eu adoro esse blog! Quer dizer que a briga vale mais que o jogo? O cara cria uma torcida por causa do time, de um time que se criou por causa de jogo e pelo menos ao que parece a graça de tudo é ver jogar. Ou era. Perde-se o jogo por uma brigar. Eu hein. E tu sempre dá um jeito de manter os bons diálogos. bjos

Guilherme Ko. Freitag disse...

quase um capitão nascimento. tá lá pra limpar a sujeira dos outros, que só arrumam merda e na cabeça deles merecem mesmo apanhar. nem entro no mérito de estar cero ou errado.

bacana o post, bacana as fotos.

Marcio Nel Cimatti disse...

Léo,

O blog é muito bom! E esse post, quase uma entrevista com o capitão, ficou ótimo!

Vou linkar o blog lá no ajanelalaranja.com nos links de fotografia!

Um abraço!