segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Experienciando



Leo: Esse festival tem um clima meio burguês. Do público aos prédios que circundam o parque Burle Marx tudo é, ou ostentação, ou ativismo de boutique. No fim das contas, essas iniciativas têm validade?
Blue: Pra mim o importante é ter verba pra aplicar na periferia. Já vi muito projeto bom, muita ONG bacana sendo enterrada antes mesmo de funcionar por falto de grana. Tô aqui pelo terceiro setor, pra fortalecer a idéia e conseguir tocar os projetos aqui na sul... Sei o que meu filho poderia ser se eu não fosse dos Racionais, então é bom poder buscar grana pra molecada toda.
Leo: Mas tu acha que o empresário que contribui solta essa grana pra dormir tranqüilo ou ele se interessa em vivenciar a periferia através dos projetos?
Blue: Ah, daí são duas questões. Primeiro eu não tô muito preocupado com o quê o carinha tá pensando, eu sei que a molecada precisa da grana pra tocar os projetos e é a isso que tô me ligando... Depois, a perfifa, a favela, são coisas recicláveis... gente que entra e sai toda hora, camarada que morre, gíria nova todo ano... A favela muda tanto que não tem nem como tentar passar isso pra quem não é de lá
Leo: É uma coisa que se experiencia...
Blue: É, mas sem palavra bonita

5 comentários:

Raquel Brust disse...

tudo incrivelmente lindo
sou tua fã
e tenho saudades sufocantes

Bá Aguiar disse...

e eu tenho um blog agora.

Manoela Sawitzki disse...

lindo! sim, tudo muito lindo! mas quando a preguiça vai deixar vc mostrar mais coisas?!!!!!!!!!!!!!!

CresceNet disse...

Gostei muito desse post e seu blog é muito interessante, vou passar por aqui sempre =) Depois dá uma passada lá no meu site, que é sobre o CresceNet, espero que goste. O endereço dele é http://www.provedorcrescenet.com . Um abraço.

Lua disse...

Leo A., meu querido, eu fico feliz em te ver. Sim, ver! Isso é você, meu amigo, este capaz de ter diálogos maravilhosos e mais que isso: de dizer isso pros Racionais, por exemplo. Vai perguntando. Tão natural que disfarça a ousadia. E, por que não, o atrevimento mesmo. Eu gosto por demais. Não querer saber o que pensam os que financiam é só dar pirulito e bola de certa forma. Pros moleques. Bem se vê que não estamos falando de Revolução - ai meu Deus ainda se usa isso? dirão alguns -, nem de reformas profundas, nem de mudanças, nem do dia que o morro vai descer. Vivenciar a periferia é possível. Desde quando a instabilidade da favela nos impede de vivenciá-la? Desde quando procurar entender a periferia é tarefa perdida? Quantas pessoas que não moram na periferia dedicam dias lá e não para descarregar consciência ou para distribuir qualquer donativo, mas para estar perto, para trocar, porque acreditam na divisão, na melhoria. Eu tive a chance de conhecer algumas dessas pessoas. Assim como conheci moradores da periferia que não aceitam ajuda do tipo doa a quem doer. Como me disse grande Ronaldo do Jd Pantanal. "Lina, se meu filho tá aqui se rastejando para andar pq é aleijado e você doa uma cadeira de rodas todo mundo vai achar lindo não vai?" "Certo. Mas e se foi você que cortou as pernas dele?". Acho que vale pensar nisso. E você nos faz pensar nisso com uma boa pergunta na hora certa.
Aquilinha, eu gosto porque tu cutuca. E faz isso com uma classe, meu Deus.
Bjos com saudade.