segunda-feira, 24 de setembro de 2007

dialogando um monólogo












Leo #1: Sabe porquê começamos a fotografar?

Leo #2: Não sei nem porquê começamos a dialogar.

Leo #1: Acho até que as coisas estão interligadas...

Leo #2: Por que?

Leo #1: Porque gostamos de contar histórias.

Leo #2: Percebi isso montando o portfolio para apresentação na Folha. Agora tem mais foto de gente do que de ambientes... acho que antes tu preferia fotografar o homem sem homem.

Leo #1: Tu também.

Leo #2: Lembra que, no primeiro emprego como fotógrafo o chefe te chamava de retratista?

Leo #1: Sim, o Olívio Dutra.

Leo #2: Acho que a gente virou isso mesmo, retratistas.

Leo #1: Eu ainda prefiro contador de histórias.

Leo #2: Eu também.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Tecnologia



Leo: Opa, posso fazer uma foto sua?
Sambista: Claro meu amorrrrr...
(depois da primeira foto)
Sambista: Mas eu não tenho que ficar de frente pro sol?
Leo: Não, eu dou um jeito nisso.
Sambista: Melhor. E tá gostando do som?
Leo: Sim, só a velha guarda...
Sambista: É, hoje em dia ninguém mais gosta de coisa antiga, só quer saber de tecnologia.
...



Leo: Tudo pronto com a luz, vamos lá
Vito: Mas não vai ficar escuro, assim contra o sol?
Leo: Não, nisso eu dou um jeito.
Vito: Então tá bom. E o carro, gostou dele?
Leo: Sim. De que ano é esse Fairlane?
Vito: 69.
Leo: Hummm... meu predileto!
Vito: É, hoje em dia ninguém mais gosta de coisa antiga, só quer saber de tecnologia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Reciclo



Leo: Como é seu nome mesmo?
Almir: Almir!
Leo: Será que eu posso fazer um retrato seu Almir?
Almir: Pode sim, moço.
Leo: Mas pode terminar o trabalho aí, eu espero.
(2 minutos depois)
Almir: Mas porquê você quer me fotografar? Não prefere fotografar mulher bonita.
Leo: Ah, o que importa é a foto ser bonita, se é mulher ou homem tanto faz.
Almir: Então é que nem lixo... se é vidro ou papelão não interessa, o que importa é estar separadinho.
Leo: Falou e disse...

Caderno de Caligrafia


(encontro entre crianças e Ziraldo para o caderno Folhinha da Folha de SP deste domingo)
Criança 1: Tio, posso ver as fotos na câmera?
Leo: Pode sim, é só girar esse botão aqui que dá pra ver todas.
Criança 2: Tio, que foto é essa daqui?
Leo: Qual foto?
Criança 2: Esse muro aqui todo pixado...
Leo: Não é muro pixado, é um caderno de caligrafia urbano.
Criança 1: Mas não pode pixar na rua, é feio...
Professora: Isso mesmo Julinho, pixar é feio.
Leo: Feio é aula de análise sintática. Não tá vendo ali as linhas de sombra dos fios, fazendo do muro um caderno?
Criança 3: É parece um caderno mesmo. Mas quando eu desenhei na parede do meu qaurto, minha mãe me bateu.
Ziraldo: Mas essa mãe não sabe nada! Tem é que valorizar os dons de artista!
Leo: Exato, por isso que a rua é teu caderno de caligrafia. Da polícia se foge, de mãe não.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Juína/MT

O conflito entre fazendeiros e população indígena é uma alegoria à questão Palestina.
No caso, os brancos seriam judeus, pois chegaram em um terra que não era sua e constituíram um estado por força política e bélica. Deixa-se aos índios o papel de palestinos, justamente por serem uma minoria, sem representação política ou força militar.
No caso do oriente-médio ainda pode-se "defender" o estado de Israel usando um artifício devéras dúbio, a religiosidade. Diz-se, na religião da parte interessada, que aquele pedaço de terra lhes foi prometido por deus.
Aos índios ninguém prometeu nada.
Li que quando os colonizadores chegaram levou algum tempo para que os índios identificassem as caravelas, já que, sem pressupostos, não podiam ver o que nunca haviam visto. Uma cegueira igênua.
Menos ingênua é a cegueira dos fazendeiros de Juína, um município no norte do país, onde não há leis, nem racionalidade, muito menos homens de tele-encéfalo super desenvolvido, apenas polegares opositores que descobriram como manejar um gatilho.
O vídeo feito pelo Greenpeace mostra o momento em que cidadãos e impressa foram expulsos de uma cidade sem que lhes fosse feita qualquer acusação legítima e constitucional.
Pois bem, ao menos já sei por onde pode começar minha carreira como fotógrafo de guerra.