segunda-feira, 13 de agosto de 2007

gregor samsa

Acordou com o corpo doído após uma noite de sonhos intranquilos. Levantou-se, então, aos poucos pois era tudo que podia fazer. Pela janela entreaberta, a mesma luz turva da noite, entrava - embora já fosse a da manhã.
Viu na mesa de cabeçeira as sedas desenroladas e dois copos com resto de vermut descansando em cima de seu sonhário. Como a caneta estava ao lado, sabia que escrevera algo durante a noite. Era sempre tarefa difícil comprender as linhas que grafava em meio ao sono. Palavra por palavra, decifrava os sonhos que ora perturbavam, ora perturbavam mais.
"A linguagem é etérea - não há como, assim como náo há porquê explicá-la". A frase jazia com um recado escrito na transversal: "alguém gritou a frase enquanto eu tentava achar o disparador em uma máquina fotográfica de papel"

"Pra que porque?", sussurou a mesma voz.

Guardou os restos de seda e bebeu o pouco que sobrava de vermut. Viver necessitava tanto porque quanto seus sonhos.

Um comentário:

Mary disse...

teu blog é uma das minhas melhores descobertas "bloguísticas" dos últimos tempos...

ótimos diálogos, os dos posts anteriores.