quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Prata da Casa

Do que não saiu na MOnica Bergamo:

"Enquanto deveria estar trabalhando, Leo Caobelli, 27 anos, fotógrafo, encontra Sérgio Castro, 27, motion designer e Rodrigo Marcondes, também 27 e também fotógrafo e decidem conferir o agito na Astronete."

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

gregor samsa

Acordou com o corpo doído após uma noite de sonhos intranquilos. Levantou-se, então, aos poucos pois era tudo que podia fazer. Pela janela entreaberta, a mesma luz turva da noite, entrava - embora já fosse a da manhã.
Viu na mesa de cabeçeira as sedas desenroladas e dois copos com resto de vermut descansando em cima de seu sonhário. Como a caneta estava ao lado, sabia que escrevera algo durante a noite. Era sempre tarefa difícil comprender as linhas que grafava em meio ao sono. Palavra por palavra, decifrava os sonhos que ora perturbavam, ora perturbavam mais.
"A linguagem é etérea - não há como, assim como náo há porquê explicá-la". A frase jazia com um recado escrito na transversal: "alguém gritou a frase enquanto eu tentava achar o disparador em uma máquina fotográfica de papel"

"Pra que porque?", sussurou a mesma voz.

Guardou os restos de seda e bebeu o pouco que sobrava de vermut. Viver necessitava tanto porque quanto seus sonhos.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

gol


menino: Você não subiu no Treme-treme esses dias?

Leo: Subi sim, como sabe?

menino: É que me lembro de você.

Leo: Tem certeza? Já faz um tempo.

menino: Sim, lembro das tatuagens e da barba... e depois fiquei te vendo pular a janela do primeiro andar também.

(silêncio)

menino: Minha mãe disse que você é louco.

Leo: E ela deve estar certa.

menino: Veio pra subir nele de novo?

Leo: Hoje não. Só vim ver se aquela entrada continua aberta.

menino: E continua?

Leo: Pois sim.

menino: Posso subir com você quando vier da próxima vez?

Leo: Só se eu puder te fotografar agora.

menino: Mas pode ser me escondendo atrás da bola?

Leo: Sim, eu sempre me escondo das fotos também... na verdade, não gosto de fotos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

oxil:lixo


Hooder: Se liga nessa cidade Leo, que cor ela tem?

Leo: Acho que várias, mas to te entendendo, ela é meio monocromática...

Hooder: Exato, toda cinza, certo?

Leo: Às vezes com um azul no céu, mas predominantemente cinza.

Hooder: E tu acha a cidade boa, tipo, acolhedora, um lugar belo - ou uma metrópole do caos?

Leo: Acho que essa nem precisa de resposta...

Hooder: Daí eu piro nisso... claro que não exijo que ninguém veja o pixo como arte, porque não é mesmo! Já pensei em ser "artista", fazer graffitti, mas daí eu penso, porquê colorir uma cidade que não tem cor e não nos oferece nada além do caos? Logo, meu velho, onde houver fogo - que eu leve a gasolina!

domingo, 5 de agosto de 2007

ainda o lixo


Leo: - Moça, posso pegar aquela luminária que está na pilho de lixo?

Moça: - Não, não pode... é que tudo que entra aqui é pesado, pela prefeitura mesmo, não tem como tirar nada

Leo: - Entendi. Ah, mas se é por peso deve ser baratinho. Posso pagar o peso?

Moça: - Não, também não... porque é de reciclagem, né... Reciclar é importante.

Leo: - Ué, mas eu vou estar reciclando também. Era lixo, ia ser vendido por peso, pra ser destruído e reciclado. Eu vou reciclar usando como luminária mesmo, só que lá em casa.

Moça: - Mas é isso que não pode, porque reciclar é fazer virar outra coisa... e como eu disse, reciclar é muito importante.