domingo, 29 de julho de 2007

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O cara saiu pra trabalhar pelo segundo final de semana consecutivo.
As costas já doíam...
O frio veio também atrasado, afinal, o cara já estava lá há dois anos e o minuano só agora resolvera aparecer.
Atravessou a São João olhando o relógio. Tinha 5 minutos para andar 4 quadras.
Um mendigo passou de bermuda, camiseta e sacos de pão nos braços fazendo as vezes de mangas longas...
O cara deu três passos, tirou a jaqueta, tirou o blusão, recolocou a jaqueta e foi atrás do mendigo.
Atravessando a São João, sentido oposto do trabalho, disse:
"ô meu velho, tá frio hj"
O mendigo continuou caminhando
"ó, pega essa blusa pra ti"
O mendigo continuou caminhando
O cara resolveu ir pra frente dele e oferecer o blusão
"Ó, isso aqui vai te aquecer, jão"
O mendigo parou, olhou pra ele e continuou caminhando

O cara voltou a seguir seu caminho sem entender muito. Não colocou o blusão de novo e sentia frio. Na porta do bar da esquina um caboclo de 50 e poucos ganhava a rua depois de longa madrugada... chorava, olhava para alguém ainda dentro do bar, apontava, tentava falar, soluçava e voltava a chorar...
O cara não costumava ver homem feito chorando, nem passando frio.
Chegou na porta do jornal abalado, em algum momento dos 20 minutos de trajeto, havia perdido o ponto de equilíbrio.

2 comentários:

Anna Carolina Negri disse...

é... definitivamente não existe um ponto de equilíbrio...

Lua disse...

Mas parece que tu achou um ponto mais interessante. Bjos