domingo, 24 de junho de 2007

Kassa o Kassab!


Sr. prefeito:
Cidade limpa não significa extingüir os melhores murais de grafiti da cidade.
Aplaudi de pé à sua decisão de remover e padronizar a publicidade de rua, embora saiba que o verdadeiro motivo para tal atitude tenha sido a falta de arrecadação municipal com estes anúncios, uma vez que mais da metade desta publicidade era ilegal. Ficará bem mais fácil destingüir, agora, quem está "fora da lei".
Causa repúdia, entretanto, ver que artistas internacionalmente reconhecidos, são banidos de suas próprias cidades ou pela ignorância de vossa senhoria, ou por simples falta de intelecto. Não me estenderei no assunto, uma vez que o colega João Wainer o fez muito bem em artigo artigo publicado na revista da Folha deste domingo e incluído em seu blog pessoal. (A sugestão da leitura vale para todos, eleitores ou não).
Para vossa "autoridade" tenho apenas um adjetivo:
VAGABUNDO!!!!!!!!!! VAGABUNDO!!!!!!!!!!!
VAGABUNDO!!!!!!!!!! VAGABUNDO!!!!!!!!!!!

sábado, 23 de junho de 2007

PIXO VANDAL ART!

Finalmente consegui convencer alguém de uma pauta boa.
Se tudo der certo, quinta-feira à noite vou estar na galeria Olido fazendo os contatos necessário pra acompanhar algumas grifes e crews pelas noites de SP.
Subindo prédio, correndo da PM, entrando nos trilhos do trem... tudo que for preciso pra registrar a linguagem mais autoral que SP já produziu: o pixo!
Falem o que quiserem, mas pago pau pra quem tem a manha de subir 20 metros de prédio pelo lado de fora e pintar letras com mais de dois metros de altura!
Assim que começar, posto algumas fotos por aqui.
Por enquanto fica a dica de um ótimo documentário sobre o tema:
Inside Outside

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Trabalho e estudo


Há exatos 29 dias topei com esse senhor retratado em um depósito de ferro para triagem. Explico: depósito de ferro para triagem é pra onde vai o "crème brûlée" dos ferro-velhos. Lá se separa alumínio, cobre e demais metais recicláveis de valor.
Por um lapso de memória fugiu-me o nome desse incrível personagem que me confessou uma ótima verdade. Ao falarmos sobre trabalho, disse ele:
"Pois, você mesmo, deve ter estudado um monte, gasto um bocado de dinheiro pra aprender a fotografar, escrever... e pra quê? Tirar mil e poucos, dois mil por mês! Tenho uma filha que tá nessa de se formar, tentar emprego... trabalha mais que o patrão e nem mil por mês ela tira. Eu não. Não servia pra estudar, descolei um trator... sei operar tudo quanto é máquina. Chego aqui a hora que quero, entro madrugada a dentro... cato meu lixo e ganho mais que minha filha e nem precisei estudar um monte pra isso. Vestibular é piada!"
Em julho volto a fotografá-lo e prometo registrar o nome, já que sou péssimo para guardá-los.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Embaraços



Clichês sempre me irritam...

O mundo anda cheio deles e parece que se multiplicam mais que coelho no cio!

São tão ruins, para mim, os tais de clichês que são capazes de estragar um filme que seria ótimo, não fosse aquela música, naquele momento, depois daquela fala e que deixou tudo assim... tão clichê!

E as pessoas gostam tanto disso, da emoção "descomedida", da adoção de novos dogmas quase exotéricos... como a nova-velha máxima da validade de todo e qualquer encontro. Essa coisa da abolição do acaso, sabe?

Teu caminho cruza o de alguém, vocês convivem por algum tempo e, por mais que o resultado desse encontro seja a falência dos "valores morais" e decadência pessoal, dá-se sempre um jeito de ver valor em tudo... "foi o que me fez ver a importância de blábláblá"... ou "depois daquilo, consegui a força que precisava para me reeguer"... Calma lá, mas se aquilo não tivesse acontecido, tu não teria caído e nem precisaria se reerguer, certo?

Errado, preferem ver tudo pelo "acertismo", já diria Lair Ribeiro!

E todos esses andam na trupe dos que não mudariam nada.

"Se pudesse voltar no tempo, não mudaria nada do que fiz, pois foram elas que me trouxeram até aqui".

Fuck!

Eu mudaria um monte de coisas, teria deixado de ficar com umas 3 minas, de ter feito uns 6 "amigos", de ter embarcado em 2 empregos, de ter escrito quase todas aquelas músicas, de ter feito umas várias fotos! Isso sim é aprendizado... ok, já fiz merda, já entendi. Posso voltar e mudar um monte de coisas? Ótimo, não perco a chance!

Quem quer mudar as coisas, encontre-me no DeLorean!

sexta-feira, 8 de junho de 2007

E nos movíamos...


Estávamos maravilhados,
deixávamos a confusão e
o absurdo para trás, e exe-
cutávamos a única função
nobre de nossa época: man-
ter-se em movimento.
E nos movíamos.
...
"On the road"
Jack Kerouac

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Longes


À distância, vou ganhando um saudosimo que afirma: há distância!
Seja nos versos de Leopoldo Raisser que insisto em ouvir só pra dizer que a idade vem:
"Está findando meu tempo,
A tarde encerra mais cedo,
Meu mundo ficou pequeno
E eu sou menor do que penso."

Ou seja com o Ramil musicando Allen Ginsberg:
"Vachel, as estrelas se apagaram
a escuridão caiu na estrada do Colorado
um automóvel arrasta-se lento na planície
pelo rádio ressoa o clangor do jazz na penumbra
o inconsolável caixeiro viajante acende um cigarro
Há vinte e sete anos em outra cidade
eu vejo sua sombra na parede
você de suspensórios sentado na cama
a mão de sombra encosta uma pistola na sua cabeça
seu vulto cai no assoalho"

E tudo que me vem do pampa tem esse sabor de atravessar planície uruguai adentro. Descer em direção a Punta Del Diablo, Montevideo, Colônia. Perder-se mais além e chegar a Buenos Aires... Pela estrada, lembranças do que um dia foi o esplendor das américas. Fords A enferrujando, enquanto os crioulos galopam um pampa pausado.

E, no fim, tudo se resume a Borges!