segunda-feira, 28 de maio de 2007

Rolê

Certamente não sou a única pessoa a ficar me questionando sobre a vida alheia quando encontro outros mundos por aí. Às vezes, porém, fico também me perguntando sobre o porquê de uma grande parcela de gente não se perguntar nada... Não sei se é algum sintoma de esquizo ou algo semelhante, mas nunca consegui passar imune a qualquer referência que recebo. Da beleza latente de um lugar que se visita pela primeira vez à, não menos importante, descoberta de um emaranhado de vidas verticalizadas... tudo toca e tudo requer reverberação. Ao menos por aqui. É desse encontrar para se desencontrar que me nascem coisas boas, plenas de coerência íntima... não me importa fazer sentido, me importa ser sentido.

sábado, 26 de maio de 2007

Sons que sobram

Pois, tem me sobrado tempo pra pensar no tipo de som que quero fazer.
Aos desavisados, recebi email esses dias sendo tirado da banda da qual eu fazia parte.
Por um lado isso é super bom, pois eu tinha receio de que o som fosse juvenil em demasia... pensei que com o tempo pudesse mudar alguns arranjos, colocar uma carga mais intimista e pessoal nas músicas, mas não tive tempo pra tanto... o que me dá esse mesmo tempo agora para poder desenvolver exatamente o som que eu quero.
Nessa semana mergulhei nas referências sonoras que poderiam delimitar esse trabalho: Elliott Smith, Jeff Buckley, Radiohead, Damien Rice, Snow Patrol e algumas coisas mais experimentais.
Me peguei ouvindo o ok computer comulsivamente e, quando vejo, a Mtv fez um especial sobre o mesmo disco, nessa mesma semana. Achei uma coincidência auspiciosa...
E, num tropeço do orkut, encontro um dos caras que considero o gênio máximo da música atual tocando uma de minhas canções prediletas desse disco:

Brad Mehldau Trio tocando Exit Music (for a film). Impressionante.
Já começei a compôr o instrumental e hoje é dia de ir a Teodoro comprar uma guitarrinha pra mim.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Luxo

Em uma noite de alguma inspiração, escrevi um hai-kai que ainda traz algum encanto:
"É teu lixo que aduba,
Meu mundo que floresta"
Não sei se faria o Leminski virar os bigodes, mas ao meu - às vezes - faz.
As fotos abaixo são da primeira visita ao centro de triagem de lixo de ferro, um luxo!
Tenho muito a falar sobre o local e sobre meus projetos por lá.
Por enquanto deixo o gostinho...






segunda-feira, 21 de maio de 2007

Depois da Geladeira.

São Paulo viveu alguns dias de Porto Alegre.
Sempre me felicita poder sentir um friozinho, mesmo desacompanhado do minuano.
A geladeira não é apenas climática, mas produtiva.
Depois de algum tempo sem invenções criativas, começo a trabalhar em 5 séries simultâneas.
A que mostro aqui é desenvolvida por um coletivo de arte que contará com a presença inicial de 2 goianos; Raoni e Vivi Flammers, uma paulista; Keké e eu como o representante das terras frias.
Breve teremos um blog do coletivo, sempre mostrando por aqui o que sobra de lá.
Ainda não sei bem de onte tirarei tempo para trabalhar em 5 ferntes independentes e mais na Folha... mas dará-se um jeito.

Alguém tem tempo pra emprestar ou até mesmo vender?
Figurino: Raoni
Bailarina: Vivi Flammers
Foto: Leo Caobelli
Produção (locação): Keké

terça-feira, 15 de maio de 2007

Enloucrescimento



Leo: Tu sabia que toda a vida na Terra veio dos cometas? O planeta não tinha água, nada... foram os cometas que a trouxeram. Depois, os mesmos cometas vieram com os aminoácidos, que em ligação formam as proteínas, que por sua vez são as bases estruturais da forma humana e da maior parte das formas vivas.

Lucia Carolina envia Run.mp3

Leo: Aliás, 30% da água na Terra veio do cometas, o que faz com que nós sejamos 1/3 cometa. Passado esse deslumbramento inicial, lembrei que há exatos 10 anos, uma seita californiana chamada Heaven´s Gate cometou suicídio coletivo. Ao todo foram 39 pessoas que se mataram na passagem de um cometa, que - segundo eles - era uma nave que destruiria a Terra.

Lucia: Mas tu vai falar sobre cometas ou seitas?

Leo: A vida começou na terra duas vezes, aleatroiamente, por causa dos cometas e se eu fosse me ater a falar sobre eles, demoraria muito – logo, fico com a seita... Na verdade não sobre ela em si, mas sobre a demência, falta de sanidade... especificamente mental.

Lucia: Sempre tive uma mistura de nojo e interesse pelas histórias destas seitas...

Leo: Mas tu lembra dessa em específico, com um líder careca e orelhudo?

Lucia: Sim, lembro...

Leo: Pois então, achei os vídeos dele no youtube... falando sobre o fim de tudo, sobre como a Terra iria terminar e a salvação seria o suicídio para ressurgir dentro de um nave, livres! O cara era realmente louco. O engraçado é que venho tendo umas pirações... aliás, sempre nutri uma fascinação romântica pela loucura.

Lucia: Acho que entendo.

Leo: Sim, tenho certeza que entendes, pois é fácil, tem a ver com a história de todos os gênios criadores estarem sempre à beira da loucura. Não que esse cara tenha sido um gênio, mas no mínimo ele merece crédito por ter acreditado na sua loucura.. chegando ao suicídio.

Você recebeu C:\Documents and Settings\Leo Caobelli\Meus documentos\Meus arquivos recebidos\Run.mp3 com êxito de ° carolina, francesa maloqueira.

Leo: Já a loucura nas artes é a de acabar caindo mesmo... em um abismo dessa demência. Uma coisa esquizofrência, meio Syd Barret. A criação tomando conta do criador. Aliás, me cobra de te mandar um dvd sobre o Ryan Larkin.
Na década de 70 esse cara, canadense, fez uma animação chamada Walking e foi indicado ao oscar. Acabou perdendo para Fantasia, da disney. Ele foi na premiação vestido normal, meio hippie, como era... ele brinca de dizer que perdeu pois fois desqualificado pela vestimenta.
Nessa mesma época ele atingiu o auge da criação, produzindo mais dois curtas de animação. O caminho seria a contratação por um grande estúdio e uma bolada preta no caixa. Mas aí o cara “surta”, não que vender sua arte e prefere perder tudo... é uma opção pessoal, o cara larga tudo e vai parar na rua, pois nela ele pode\observar as pessoas, já que isso é o que o encanta... como as pessoas se movem, como balançam os braços, como dançam em sua cabeça

Lucia: mas por estes loucos assim o que eu sinto é diferente... um respeito misturado com ... como se ele fosse outra espécie que nao humana... ou um humano mais elevado

Leo: Exato! O bukowski tem um texto que é muitas vezes juvenil demais, pois é o adorado por todos de 15 anos. “jogue os dados”, conhece?

Lucia: Nunca li Bukowski.

Leo: Nesse poema ele fala sobre ir até o fim. Como se aconselha-se alguém desaconselhando. “Ok, você quer ir, vá – mas não pára no meio do caminho” e dessa forma ele diz uma coisa linda: “se você for tentar, vá até o fim. isso pode ser perder namoradas, esposas, parentes, empregos e talvez sua cabeça. vá até o fim . isso pode ser não comer por 3 ou 4 dias. pode ser congelar em um banco da praça. pode ser cadeia, poder ser o ridículo, chacota, isolamento. isolamento é a benção.”

Lucia: eu nunca vou até o fim das coisas, tu não sabe como isto pra mim é um desafio e como me é fundamental, como quando aprendi a andar, falar, respirar oxigenio

Leo: pois, eu em muitas coisas não passo da metade e sei que o caminho é o que importa, nem sempre o ponto final... mas ele não me parece falar sobre isso, mas sim sobre o cara que vai até o fim, da criação, perde a sanidade, o emprego, a família e dorme no banco da praça... sobre o cara que, não vira um gênio, mas assume o gênio que já tem... enlouquece, porque não vê mais as coisas como elas são pra todos

Lucia: Ele não enlouqueceu, ele construiu um universo dele e agora esta morando lá

Leo: Isso... mas olha só, essa coisa toda que eu critico na dita normalidade, mas ao mesmo tempo consigo segui-la quando me convém... isso perde qualquer foro de vantagem pra quem realmente estabelece uma genilaidade

...

Leo: Lembra quando te falei sobre a diferença entre ser uma ilha ou iceberg? Que a maior parte das pessoas é o continente: nasce, cresce, se reproduz e morre... assim, como quem respira e isso basta. Quem pensa um mínimo já sai dessa continente e vira ilha ou iceberg, lembra?

Lucia: Sim.

Leo: Ilhas são bonitas, atraentes e as pessoas querem visitar. Já os icebergs não. Ilhas são estáticas, icebergs se movimentam; ilhas são quentes, icebergs, frios. Um gênio, louco, é iceberg... se movimenta, pois não se contenta em ficar parado. ele não atingiu nenhum estado, ele é seu estado... e mais do que isso, pois esse estado pode ser mutável, já que não importa a ele fazer coerência, basta que ele o seja, pra si.

Lucia: O corpo dele é extenso, não é mais particular... o corpo dele são as sensações que ele percebe pelo unverso dele. Mas o louco sabe que está num iceberg. Ele sabe que não tem mais ninguém ali.. e é triste por isso, sozinho

Leo: Sim, mas essa solidão da loucura que me é romântica... engraçado ver romance em solidão, mas é isso mesmo. Como a Camille Claudel com o Rodin... mas tu já não a ama mais.


Conversa realmente ocorrida ainda hoje, em algum intervalo de tempo e espaço entre a loucura e os afazeres domésticos, como lavar a pilha de louça suja acumulada do final de semana.



As fotos são da III Bienal do Mercosul, realizada em 2001, no Hospital Psiquiátrico São Pedro.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Gajos de Luta!

Gostei da fórmula: 1 post próprio + 1 vídeo. Logo, hoje exponho um de meus maiores achados no youtube, portugueses que fazem graça e são deveras engraçados!
A dupla de atores é ótima. Fica a dica para procurarem todos os episódios do programa: Homens de Luta.
Ótimos gajos, o pá.

Dona Gracinda

D. Gracinda: - Eu nâo vou falair, porque senâo acabo a sair de bóca aberta
Leo: - Ok, Dona Gracinda, pode ficar quietinha então...
Seu Daniel (marido): - Póde deixair que eu fálo por iela e por mim. Aliás, sobre u qui mesmo é a mãtéria?
Leo: - Açougues, antigos açougues...
Seu Daniel: - Destes que estâo em extensão

silêncio

Leo: Isso, extinção...
Seu Daniel: - Pois fói o que eu disse pá, extensão!


obs: não foi cometido nenhum erro de grafia neste texto

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Hail Satan!

Finalmente um pastor para seguirmos!

Renato, o rei do gado!

Renato: - A não Leo, essa luz de cemitério, tem certeza?
Leo: - Vai por mim, a foto tá ótima!

Renato: - Sei não, acho que vou parecer assassino nessa foto...
Leo: - Pô, mas tu não é açogueiro?

Renato: - Mas nem sou eu que mato o boi! E tem mais, essa máquina aí da frente, essa com a engrenagem, não pode aparecer porque é de fazer lingüiça...
Leo: - Tu faz lingüiça de quê, de cachorro?

Renato: - Cê ri, mas tem quem faça de cachorro mesmo.
Leo: - Eu sei, sou gaúcho, lá tem um caso famoso de lingüiça de cachorro.

Renato: - Ô Leo, com a faca pra cima assim... muito mórbido.
Leo: - É que eu quero usar as fotos pra uma campanha contra as carnes


silêncio... silêncio... risos.


Renato: - Nunca ví gaúcho vegetariano, tchê!


Renato e sua ginsu, dupla de sucesso

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Idiossincrasias

Aprendi essa palavra, idiossincrasia, quando li um texto do Drummond chamado "Eu etiqueta" . Na época achei o máximo esse poema. Hoje minha ironia já está mais pra Bukowski do que pra Drummond, embora siga amando aquele que um dia encontrou uma pedra no meio do caminho.
Para os desavisados, idiossincrasia significava aquilo que é teu e somente teu, sem ter a menor relação com posse. Deixo a explicação menos subjetiva ao Michaelis:
1 Med - constituição individual em virtude da qual cada indivíduo sofre diferentemente os efeitos de uma mesma causa. 2 psic - qualquer detalhe de conduta peculiar a um indivíduo determinado e que não possa ser atribuído a processos psicológicos gerais, bem conhecidos.
Passei, a partir do conhecimento deste significado, a tornar-me um idiossincrático convicto.
Dia desses creio ter conhecido outro membro deste "clube". Estava fotografando para a matéria de capa da revista da Folha que seria sobre esquecimentos. O "link" para esse artigo era o caso do pai que esqueceu o filho dentro do carro. Pois bem, assunto delicado, não queriam tocar muito no caso do pai, embora esse fosse o argumento central da matéria e deram o título de capa: "Deu branco". Até onde sei, só se dá um branco quando se está tentando lembrar de algo. Eufemismo estranho este, ao meu ver. Mas esse não é meu ponto central. Estava eu já indo pra casa, expediente fechado às 18:00, quando me ligam pedindo uma foto para as 18:45. Resolvo fazer. Sigo para Moema, meu antigo bairro (saudades das idiossincrasias dos 15 anos) e chegando lá a foto é atrasada em uma hora. Ligo pra redação, penso em pedir um outro fotógrafo pra pauta, mas acabo ficando, o que foi um acerto gigantesco. Acerto pois conheci David Calderoni, psicanalista extremamente gentil e inteligente. Daqueles profissionais que observamos em ação e percebemos na hora que fazem exatamente aquilo para que nasceram, embora eu não acredite em dons inatos.
Subi ao seu consultório enquanto ele ainda trabalhava com seu paciente Fernando, menino novo, entre 7 e 9 anos. Já na recepção Fernando me pergunta de que jornal eu era, se aquela câmera que eu usava era a câmera do jornal e logo depois me mostra uma escultura feita em massinha colorida que estava junto de sua mãe. "Essa é a cópia", afirma com convicção de Rodin.
Dentro da sala ele me mostra o original, numa escala de 3 ou 4 pra 1. Nunca pensei que nessa idade alguém pudesse entender proporções. Beirando a genialidade Fernando discorre sobre o sentido de sua obra, um vulcão com um sereia, enquanto fotografo a ele e David. Muitas vezes me perguntava sobre a fama, o pequeno. Eu, tão contrário as personalidades de minuto (sim, sim, ainda me orgulho de ter negado a cobertura fotográfica do aniversário de Rico Mansur), vejo-me tímido em tentar responder à altura daquela mente tão livre.
Encerramos essa seção dupla de fotos e permaneço no consultório para fazer as individuais de David. Enquanto clicava, conversamos sobre a irredutibilidade do ser e ganhei de presente um livro escrito pelo próprio psicanalista e com uma linda dedicatória que, apesar de ser pessoal, externo para que o âmbito deste encontro seja devidamente compreendido: "Para Leo que ama o singular".
Depois de discorrer sobre minhas diversas mudanças de cidade e até de país e sobre como criei raízes comigo mesmo (sim, parecia que eu estava em análise tamanha foi minha capacidade "confessional"), David pegou o violão enquanto eu guardava os flashes e toda parafernália que sempre levo em duas mochilas para fotografar. Trilhos urbanos foi a escolhida. Fazia tempo que eu não escutava o Caetano. Caiu como uma luva pra fechar minha "sessão".
O mais engraçado de tudo é que, alegando falta de espaço na matéria, o artigo escrito por David Calderoni não entrou na revista, assim como as fotos.
Faço ambos presentes aqui no sobrou, para que a produtividade daquele dia não fique restrita a mim.

A PSICANÁLISE E O TEMPO DOS ESQUECIMENTOS

Esquecimentos que parecem absurdos, impossíveis e inexplicáveis podem sim acontecer com qualquer pessoa. Desde os seus primórdios, a psicanálise afirmou e procurou fundamentar essa idéia.

Esquecimentos desconcertantes que surpreendem pessoas normais em meio aos seus afazeres diários são abordados no livro em que Freud introduz uma explicação geral e sistemática desses fenômenos: Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana, lançado em 1901. É justa a popularidade da obra, pois oferece ao homem comum a possibilidade de encontrar em mecanismos psicológicos universais uma explicação convincente para os chamados lapsos ou atos falhos, designações que englobam perturbações da memória, da linguagem e do controle motor.

Segundo o mecanismo básico proposto por Freud, os lapsos ocorrem quando um desejo inconsciente adquire intensidade maior que a das forças que o reprimem, levando a pessoa a agir de modo contrário à sua vontade consciente, pois causaria mais desprazer agir conforme o figurino. Mas Freud frisa que quanto maior é o estranhamento diante do ato falho, tanto maior é a dificuldade em descobrir qual é o desejo inconsciente. Isso porque, para driblar a censura erguida pelas forças que o reprimem e com ele conflitam, o desejo inconsciente acaba se expressando mediante formas disfarçadas. Isso significa que se eu esqueço de dizer um polido não ao responder se quero a última guloseima da mesa, a intenção inconsciente pode ser imediatamente descoberta e facilmente reconhecida, pois não está em jogo uma grave transgressão. Porém, se eu esqueço de seguir uma regra de segurança e provoco um sério acidente que afeta entes queridos, isso não significa necessariamente que havia um desejo inconsciente de machucá-los. A investigação da natureza dos desejos em jogo, conforme a regra fundamental da clínica psicanalítica, chamada de livre-associação, requer o esforço consciente de suspender qualquer julgamento moral, lógico ou estético sobre os pensamentos e os sentimentos da pessoa engajada nessa investigação.

Evidentemente, há esquecimentos para os quais a psicanálise não tem uma teoria explicativa pronta. No fatal esquecimento dos bebês, os pais apontaram a quebra da rotina como causa ocasional das tragédias, o que sugere a meu ver a necessidade de se pensar numa teoria psicanalítica do tempo social.

De fato, não só pela coincidente alegação de quebra de rotina, o tempo é um fator notável nas tragédias do consultor de academias Carlos Alberto Legal e do biólogo Ricardo Garcia: ambas as crianças tinham pouco mais de um ano; as duas fatalidades ocorreram com intervalo de um ano, no início do outono. Além disso, seja indo à academia, seja buscando dormir sob intensa cefaléia, o lapso do esquecimento abriu um intervalo de tempo para que os pais pudessem cuidar de suas urgências pessoais.

No tempo em que predomina a luta de todos contra todos, a rotina sulca estratégicas trincheiras entre o cuidado de si e do outro. Invólucros dos esquecidos, os carros são os veículos de distribuição destes tempos, entre cujas passagens as crianças desapareceram. Minha hipótese é que a quebra de rotina contrapôs o cuidado do filho ao cuidado de si, num contexto em que o modo de existência e de acumulação social da riqueza implica uma luta incessante contra o invisível e impessoal ladrão dos tempos da delicadeza, da solidariedade, da amizade e do amor, ocasiões em que o cuidado de si e do outro se alimentam reciprocamente. Em outro tempo e espaço, talvez possamos desenvolver essa direção de idéias.



David Calderoni é membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, doutor em Psicologia pela USP e professor do Curso de Especialização em Psicopatologia e Saúde Pública FSP-USP. Publicou “O Caso Hermes: a dimensão política de uma intervenção psicológica em creche”. Contato: www.davidcalderoni.art.br

terça-feira, 1 de maio de 2007

Recordar é viver!


Além desse título estar no Ilha das Flores, é uma ótima síntese da razão desse blog.
Olhe as imagens lado a lado e julgue por si mesmo. Qual delas teria dado a melhor capa?
Amanhã refaço a pergunta com a capa da última edição do guia.

SP + vírus



Pois, já faz um tempo que parei de ser habituè de sites pornôs, mas nem assim os trojans me deixaram em paz. Na madrugada de domingo caí num velho golpe. Colhendo umas letras do Jeff Buckley em qualquer site digitando Jeff + lyrics no google, acessei uma página e cliquei num link para a letra que queria. Foi o suficiente pra aparecer uma coreana xexelenta, peluda e o AVG acusar a entrada de sei lá quantos vírus.
Maratonas no AVG, hijack this e etc... Perdi a paciência, joguei meus bookmarks em uma partição e reinstalei o XP.
Fuçando nas pastas achei umas sobras antigas de fotos que gosto. Deixo por aqui uma delas: Avenida Paulista, final de 2006.