sábado, 28 de abril de 2007

Mas o que sobrou?

Depois de inúmeras tentativas de criar algo que eu pudesse realmente identificar como meu, não pelo pertencimento material, mas pessoal - resolvi criar este espaço para dar vasão ao que me sobra.
As sobras são essenciais ao fundamento pessoal, penso. Não se engane pensando em migalhas, mas em tudo que parece não ter lugar e, por isso, sobra.
Do estrangeirismo de Camus à cegueira de Saramago, sempre existe algo que sobra e que, em toda minha reticência, volta a frase da Camille Claudel "Il ya toujours quelque choise d´absent qui ma torment" - existe sempre algo de ausente que me atormenta. O ausente sobra, o presente também.
A foto lá de cima, do cabeçalho do blog é uma representação visual do que um dia vi a ser São Paulo (isso, vi a ser e não vim a ser.. não foi um erro de datilografia, ao menos não dessa vez).
Essa cidade que tem sobras por todos os lados e que agora verá as minhas, sejam estas sobras fotográficas de pautas, ou conversas que sobraram por não ter com quem debater, ou menos por sobra de tempo.
O que sobrar se fará notar.
Lembrando sempre a velha máxima que um dia inventei num guardanapo de bar:
"É teu lixo que aduba,
meu mundo que floresta"

E neste dia de cumpleaños, quantos mais será que ainda me sobram?

3 comentários:

lúcia carolina disse...

foste tão Caetano nesta frase:

"A foto lá de cima, do cabeçalho do blog é uma representação visual do que um dia vi a ser São Paulo"

haha

lúcia carolina disse...

foste grandioso nesta:

""É teu lixo que aduba,
meu mundo que floresta"

lúcia carolina disse...

desde que te conheço, me lembro de tu falar sobre a frase da demoiselle Camille Claudel.

aussi, desde que te conheço, tu acredita em um monte de coisinhas que tu apresenta neste texto de apresentação.

alors, de blog o que eu sei, Leotrec, é que tu mesmo te reconhecerá pelos teus retalhos.

voilà, na verdade é isto, blog a pessoa cria para falar consigo, sem parecer louca, falar alto pelas ruas, sozinha, enfim.

e te concentra nisto.

no mais, para quem ler, de ti terá narrativas explodindo de vida, como das tuas fotos, como das conversas contigo.

donc, muito bem vindo este teu Sobrou.