quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

para Lúcia, com atraso


Nunca fui muito de jogar em coletividade, deve ser a tal preguiça de competição, aliada a falta de talento nato - essa última que deve ter despertado a primeira, na bem da verdade.

Marinete acaba de sair de casa e minha bancada está limpa, também tenho preguiça de fazer limpeza, mas acho que pra essa nunca precisei de talento, só vontade mesmo.

Lúcia mandou email com instruções específicas.
Na bancada recém limpa, sem nenhuma cinza dos companheiros queimados, só está um livro. Na página 161, quinta frase diz:

"Elas carregam o peso da experiência, do sofrimento, da morte."

Pierre Assouline falava sobre as fotos de Bresson em "O olhar do século", mas podia muito bem estar falando dos últimos acontecimentos de meu mês, se algo nele é de fato meu.

Lúcia tem essa coisa de saber fazer ser. E assim me fui, mesmo com atraso.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008



Conversa de MSN.

Leo
10:00
velho, a faxineira aqui de casa passa o dia assobiando e cantando...
quero a morte!

rodrigo marcondes
10:00
hahahah
bom humor eh algo ofensivo demais, ne?

Leo
10:00
putz... bom humor de cú é rola às 10 da manhã, né?
aliás, ouvi uma frase segunda na padoca, de 3 motoboys... fantástica

rodrigo marcondes
10:01
manda

Leo
10:01
"não se esquenta cú com rola fina"

rodrigo marcondes
10:01
hahahahahahahah

Leo
10:01
só a sabedoria em duas rodas é capaz de tamanha poesia

rodrigo marcondes
10:02
motoboy: fonte inesgotavel do saber

segunda-feira, 10 de novembro de 2008


(prefácio: Assessores e fotógrafo oficial de campanha indicam que Marta Suplicy prefere ter seu perfil esquerdo fotografado. Não revelam o motivo, mas a careca denuncia.)

Fotógrafo: Nós vamos fotografar nessa cadeira aqui, tendo o lago do Ibirapuera ao fundo.
Marta: Mas e o chafariz, por que não está ligado?
Fotógrafo: É que ele só liga de hora em hora... tem um temporizador... na verdade a gente nunca sabe a hora que ele vai ligar!
Marta: Ah não, mas é só ligar pra lá que eles ligam...
(Marta fala com a assessora e com a jornalista e pede para que liguem para a direção do Parque)
Marta: e ai, conseguiu?
Fotógrafo: É parece que não tem como ligar agora...
Marta: Claro que tem, é só falar com a pessoa certa... eu não me conformo que não tenha fonte nessa foto, foi tão difícil conseguir essa fonte.... Sem fonte eu me sinto prejudicada... Mas vamos fazer assim, se eu não tenho fonte, então os outros também não tem... daí tudo bem... pq a fonte dá um up na foto!
Fotógrafo: Pode deixar prefeita, a gente faz as fotos dos outros em um horário que não tenha fonte!

Para ver essa surrealidade de diálogo em vídeo:
www.garapa.org/2008/10/garapa-na-folha-eleicoes/

segunda-feira, 14 de julho de 2008



Passava da uma da manhã na Calle Neptuno quando o Monte Cristo deu-me sua última baforada. Foi então, em meio a um silêncio profético, que Havana resolveu conversar.
Havana: Mas então, o que vieste fazer aqui?
Leo: Me encontrar-te é uma boa resposta?
Havana: Depende, muitos outros já vieram se descobrir em mim... mas tu ao menos se encontrou?
Leo: Não, mas isso era mesmo necessário?
Havana: Talvez não... mas o que encontrou em mim?
Leo: Horizontalidades, por certo.
Havana: E te enamorou delas?
Leo: “Por supuesto”... E há como não se enamorar de algo que se espalha assim, sem imposições piramidais?
Havanas: Falas de politica?
Leo: Não, aqui deixarei meus últimos ismos... a queda do meu muro de berlim.
Havana: Tenho cuidado com isso. Nessas ruas muitos sofreram quando o último se caiu.
Leo: E não pense que em minhas “calles” sejam menos os que sofrem agora com quase duas décadas de atraso.
Havana: Mas o que te dói?
Leo: Essa mente coração de sempre, que sangra e pensa; que pulsa e vibra; que bombeia e reticencia...
Havana: Mas então o que te enamoras daqui?
Leo: Ora, já disse, as horizontalidades!
Havana: E o que são elas pra ti, senão politica?
Leo: São o braço que se estende gasto, porém forte. Algo como teus prédios baixos, aqui de centro Habana... essa dicotomia de procurar a si mesmo em meio ao culto coletivo, a construção de pontes do saber entre o que sou eu e quem são os teus... E dar as mãos e rodar o mundo, girar a roda, “poner-me en movimiento”.
Havana: E de que movimento és?
Leo: Não sou de movimentos, estou em movimento!
Havana: E assim cais de novo em horizontes?
Leo: Por certo. Do horizonte tenho sabedorias e prazeres, desde a cama onde me porei agora fadigado, ao amanhã que, espero, aguarda-me em gozo. Nada me existe além do desejo de horizontalizar.

E despediu-se com a brisa leve do Malecón em um penúltimo gole de Havana Club.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

cuando pienso en el...



Leo: Quase fiz a barba hoje
Che: Mas porquê?
Leo: Porque está ficando meio grande... uma coisa quase "lenhador canadense", saca?
Che: Já passou do padrão revolucionário cubano?
Leo: Sim, por uns 4 cm já...
Che: Mas pense bem, é uma decisão importante.
Leo: Não se preocupe, resolvi que não faço. Pelo menos não até voltar de Havana.
Che: Enche-me de orgulho guri!
Leo: Ah, obrigado... mas também, é só barba.
Che: Desculpe-me por discordar, mas não é. É um atestado de existência em forma de pelos! E há de se lembrar: Em uma revovulação se triunfa ou morre, se for verdadeira!

... silêncio...

1) Sim, estou indo pra Cuba.
2) Sim, a morte é fazer a barba!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Isabella



Repórter #1: Que que é essa coisa aí na tua mão?
Leo: Um gravador
#1: Mas por que gravador se você é fotógrafo?
Leo: Porque eu quero o áudio junto com as fotos
Repórter #2: Mas áudio de quê se não tá nem o delegado, nem os advogados aqui, nem nada de importante?
Leo: Eu posso não estar fazendo uma matéria sobre o caso, mas criando caso com a matéria sobre a matéria...
#1: Tudo isso porque tá chovendo e você não tem nada melhor pra fazer, né! Não gravou isso não?!!!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Orgasmatron!



Tia do bar: Tá trabalhando hoje menino?
Leo: Pois é, to sim...
Tia: Mas hoje é feriado, dia do trabalho!
Leo: E parece que só pra nós dois é dia de trabalho não?
Tia: Eu nem sei há quanto tempo não tenho um feriado...
Leo: Eu nem sei o que é um feriado!
Tia: E vai levar a lata pro trabalho?
Leo: Vou sim, pra uma foto.
Tia: Ah, você faz foto... que bonitinho... e por que começou a fotografar?
Leo: Essa é uma história longa... Mas acho que era pra sair da mesmice. Queria fazer uma coisa diferente..
Tia: Como fotografar latas no feriado?
Leo: Exato!

Saindo da vendinha ouço Orgasmatron vindo de um chevette marrom. Considero sagrados os momentos em que a vida perde o sentido objetivo.